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Com a palavra: Evil

22 comments

Cartinha de amigo leitor é o caralho, esse é um belo relato do meu grande amigo e membro do alto clero do FixaCWB, Evil.

“Olá pessoal,

Nesse domingo voltei aos meus treinamentos, com minha bicicleta que foi recuperada. Queria agradecer a todos que me ajudaram a tê-la de volta. Mas não estou escrevendo somente para agradecer. Todos sabem que sou ciclista há muito tempo, dezessete anos para ser exato. Durante todo esse tempo correndo, passei por muita coisa, em viagens, competições,  treinamento,  e posso dizer que tudo isso construiu meu caráter e meu estilo de vida.

Já fazia mais de dois meses que não pedalava… o primeiro mês por problemas pessoais e o segundo por terem roubado minha bicicleta, mas nesse domingo tudo deu certo, desde o tempo para eu poder sair ate o clima e o vento favoráveis, um dia perfeito. Marcado o treino com meu amigo Diego, saímos e seguimos pela 277 em direção a Morretes. Já na serra, aquela sensação única de estar pedalando junto à natureza, sentindo ar puro e adrenalina nas veias, me  lembrei  de um ritual que sempre fiz:  agradecer a seja lá quem for que me permite estar ali fazendo o que mais gosto.

Chegamos ao ponto de parada, onde comemos e bebemos  alguma coisa. Além de sermos muito bem atendidos pela Dona Noirâ, tivemos  a melhor comida e bebida do mundo. Isso é o efeito que uma boa pedalada causa em nosso paladar. Qualquer lanche vira um banquete, a gente aprende a dar mais valor para as coisas simples.

Saímos dali alimentados e risonhos, seguimos em direção à Serra da Graciosa…  o visual não poderia estar melhor. Ainda no asfalto que leva até a subida de paralelepípedos, já sentíamos o cansaço do pedal, afinal, ali já estávamos com quase 80 km rodados. Respiração ofegante, pernas doloridas, calor, trazem suor, gemidos e caretas… as quais vi algumas na cara do Diego, imagino como deveriam ser a minhas, ainda bem não termos espelhos nessas horas!

Diante de tanto esforço, um sinal de fraqueza, uma vontade de parar, mas a cabeça manda continuar, pois quantas e quantas vezes passei por ali sem ao menos pensar em chegar em segundo lugar. Mas o corpo destreinado não responde da mesma forma. Lembrei  que sou humano,  como qualquer um,  na hora em que fui obrigado a colocar os pés no chão porque não tinha mais força para empurrar os pedais para baixo. Sentado ali, ofegante e curioso com o que viria pela frente, se iria me recuperar, se chegaria em casa ou se ao menos terminaria de subir a serra, tive a certeza que estava fazendo a coisa certa, por mais estúpida que parecia, pois estava feliz e via isso no rosto do Diego também.

Após alguns minutos retomamos a pedalada e chegamos ao final da subida…  Alívio, alegria e vitória, terminamos a parte mais pesada do percurso. Agora o esforço era um tanto menor, mas as dificuldades mudavam de natureza: câimbras tomavam conta de minhas pernas. Dores que te fazem viver o momento presente, que te amadurecem e te dão a dica de que você continua vivo.

Transcorrendo mais alguns quilômetros, novamente a falta de força apareceu, porém tínhamos um posto de gasolina próximo. Mais uma vez um banquete à nossa frente, mais uma vez as coisas simples se tornando donas de valores incalculáveis.

Pessoas incríveis que conhecemos tornaram o dia mais lucrativo. Todos têm alguma coisa para ensinar, todos têm  uma historia boa para contar. O nosso sofrimento se transforma em sorriso.

Em fim chegamos em Curitiba, nos alimentamos com nossa terceira orgia gastronômica, demos risada, conversamos sobre tudo o que havia passado até que resolvemos seguir nossos caminhos de casa. Dever cumprido. Banho de Rei, num chuveiro elétrico de minha aconchegante casa. O carinho gostoso de minha companheira, um sorriso maroto  antes pegar no sono.

Dizem que as sensações sentidas por atletas são as mesmas sensações divinas sentidas por pessoas que se dedicam por completo à meditação e ao autoconhecimento. Então, sentir-se vivo, sentir-se indestrutível e estar vivendo o exato momento, são coisas que encontrei no esporte que pratico. Mas tem uma dessas sensações que se não for divida nunca será completa, e ela se chama FELICIDADE. E tudo que passei neste dia se resume a isso. Fui fundo na minha felicidade e queria compartilhar cada momento com vocês.

Novamente quero agradecer a todos por me ajudarem a recuperar  minha bicicleta, sem vocês nada disso seria possível.

Tenho que agradecer singularmente a Bia, minha companheira que não saiu do meu lado nenhum minuto se quer, ao Marlon, meu sócio que agilizou rifas e segurou a barra da loja enquanto eu corria de um lado para o outro, ao Athos meu amigo que esteve no meio de tudo, ao Diego meu nobre escudeiro, ao Julim que me ajudou financeiramente direto com seu trabalho, ao Viquetor que organizou todo o resto.

Sejam felizes, façam o que mais gostam, vivam seu sonho.

Obrigado pessoal”

Ivo Lucas Siebert

Written by Diego the Kid

May 23rd, 2011 at 10:08 pm

pessoas que eu amo

one comment

 

Boa parte do alto clero, após a bicicletada dos sujos.

Written by Gunnar

February 27th, 2011 at 11:23 pm